Arquivo de outubro, 2010

Por que o LCP declara voto em DILMA13?

Posted in Uncategorized on 28 de outubro de 2010 by luzcamerapichacao

Semana passada assistimos um vídeo de um debate entre vice-presidenciáveis, onde Índio da Costa, vice de José Serra, disse claramente: “gostaria de dizer que eu não reconheço o MST como movimento social”. Mais pra frente, o candidato ainda reafirmou que “não tem conversa”. Pois bem, se há algo louvável nestas frases é a honestidade que nos deixa claro aquilo que já prevíamos, ou seja, que o projeto de país representado por José Serra, quando colocado diante de diferenças marcantes como a representada pelo MST, tenderá mais à pronta reação violenta e não reflexiva do que à conversa, o que revela de maneira objetiva, a limitada compreensão de mundo que representa sua candidatura. Em todo caso, não estamos aqui beatificando o MST, claro, mas sim lembrando que longe de “governar para as pessoas de Bem”, como gosta de repetir Serra em seu slogan, o Estado não deve escolher o tipo de pessoa para quem governa, mas sim despender investimento e interesse na complexidade das suas gentes, sem deixar de fora suas versões mais rebeldes. Não esquecendo, ainda, que todos os mais nefastos genocídios da humanidade foram cometidos em nome do “Bem” – todas as inquisições, todas as ditaduras, todas as políticas coloniais, o Nazismo. Nesse caso o “bem” se confunde com a arrogância da crença em uma verdade, crença esta que levou a tais atos nefastos incluindo ainda, no nosso caso, a transformação dos negros em escravos. É preciso um governo que não administre com a absoluta certeza de se impor pela verdade, mas que acolha com alguma humildade as dúvidas e reflita sobre elas, afinal, as verdades absolutas não estão imunes a velozes transformações.

Lembramos, portanto, para tratar deste caso específico, que, se as ações do MST tomam aspectos radicais, não podemos esquecer que elas nada são diante da quantidade de sangue que jorrou e continua jorrando sob a legitimidade de uma política mundial onde o acúmulo livre de bens e riquezas é, não só naturalmente defendido, como educativamente desejado. Que peso tem, então, um golpe de foice diante de um mundo onde os 1% mais ricos concentram fortunas maiores que o PIB de países periferizados? É neste mundo que vivemos, e é a partir disso que temos que tentar compreendê-lo. Fechamos os olhos para uma violência que já é velada, legitimada pelo capital, enquanto ficamos horrorizados quando os periferizados pegam em armas para responder a altura. Existe maior violência do que o descaso com os miseráveis, enquanto alguns tem tanto? Sendo assim, um Estado, então, que encara as ações de tais movimentos apenas pela ótica da legalidade, perde de vista o que de fato importa – os sérios e importantes questionamentos que tais ações esfregam em nossa cara. Por que um prédio abandonado e vazio incomoda bem menos que um prédio ocupado por Sem-Tetos? Por que tendemos ao aniquilamento do diferente logo que a crença em nossa ética burguesa é ameaçada? Está aí evidenciada a necessidade de se debater, de pensar, de não apenas tomar uma decisão contra ou a favor de determinado fenômeno, mas compreende-lo, procurar entender o contexto que o fez presente. Os grandes momentos históricos de nossa sociedade se deram no confronto com a legalidade, no confronto com o sistema que estava legitimado, no momento em que se procurou não apenas reprimir de acordo com a lei, com a verdade, com o “bem”, mas de se pensar os fenômenos, como foram o caso da revolução francesa, da extinção das monarquias absolutistas, das guerras de independência, das extinções do colonialismo, da abolição da escravidão e dos direitos civis para os negros e homossexuais.

Finalizando, acreditou-se durante toda a modernidade na superação de tais problemas, mas o mundo de hoje, invadido por aqueles que não ficaram “em seu devido lugar”, trama a germinação da revolta nas mais diferentes formas, ainda pouco compreendidas. Para alimentar o debate, então, lembramos que a etimologia da palavra “revolta” significa retomar aquilo que passou. Pois bem, se costumamos perguntar aqui quem se colocou no caminho de quem, a propriedade ou o piXo, a mesma pergunta cabe quanto ao MST e os Sem-Teto.

No entanto, não fazemos aqui um manifesto de endeusamento do projeto de Dilma e PT, afinal, não se trata também de cegar-se diante de possíveis equívocos. Em todo caso, a clara dicotomia que se instalou neste segundo turno entre dois projetos de país evidentemente opostos, e a importância que damos à não interrupção das conquistas sociais atingidas pelo governo LULA, leva a equipe LCP a entender a tomada de posição como necessária neste momento. Portanto, se o futuro possível está em disputa entre um projeto de continuação apoiado por uma diversidade de organizações civis como os Povos de Terreiro, a Irmandade de Religiões Afro-Brasileiras e Lideranças Nacionais LGBT representado por Dilma, e um outro, cujo retrocesso se vê no apoio de organizações homofóbicas e reacionárias como Pastor Silas Malafaia (Assembléia de Deus) e a Família militar Bolsonaro (Nostálgicos pela Ditadura) à José Serra, escolhemos, em sintonia com os interesses que marcam nosso trabalho por uma mais ampla compreensão de culturas periferizadas, prontamente e historicamente negadas, tomar posição e declarar nosso voto em Dilma13.

Bruno Caetano, Gustavo Coelho e Marcelo Guerra
LCP Crew

 

Sábado – LCP no Xarpi Rap Festival

Posted in Uncategorized on 26 de outubro de 2010 by luzcamerapichacao

Neste sábado, véspera de eleições, vai rolar mais um Xarpi Rap Festival!

E como não poderia ser diferente, a equipe LCP estará presente reproduzindo nossos trailers e aumentando o burburinho para o lançamento!

Sábado – 30/10
A partir das 23h
Kalesa Lounge – Rua Sacadura Cabral, 62 – Pça Mauá

Orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=93244575&refresh=1

Fotolog: http://www.fotolog.com.br/lcpichacao

Twitter: @lcpichacao

producao@luzcamerapichacao.com.br

LCP Crew

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